terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cidade dos Contrastes

Vivemos numa cidade de grandes contrastes. Alguns diriam que isso é que nos torna diferentes, ou que empresta um certo charme a cidade. Não sei, eu sou mais adepto das médias, não gosto de grandes contrastes. Não nego que eles acrescentem qualidade a algumas características citadinas, as planícies e os morros, por exemplo, são contrastes geográficos interessantes.

O mesmo não se pode dizer, por exemplo, dos casebres das nossas vilas e das mansões dos condomínios fechados, das "villas" dos mais abastados, que geram um outro tipo de grande contraste, nesse caso o social (sem falar no de serviços públicos: esgotos, pavimentação, segurança, etc).

O clima é outro aspecto contrastante em Porto Alegre. Nossos invernos são frios e nossos verões quentes. A amplitude anual chega a atingir os quarenta graus centígrados, variando dos invernos de zero grau aos verões de quarenta. Sem falar que muitas vezes a amplitude atinge essa faixa em menos de 24 horas.

Reclamar do clima é burrice - se bem que em tempos de aquecimento global caiba, ao menos, um protesto. Resta-nos (nós, os portoalegrenses) aceitar e viver nessa gangorra climática.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Notícias da cidade

A cidade continua com uma cara carrancuda. O tempo não quer saber de primaveras e outros bichos. Nada de amenidades, tudo funcionando na base do oito ou oitenta. Calor, frio e muita chuva transforma o clima num legítimo samba do crioulo doido. Ninguém mais sabe se é resultado do el ninho, da la ninha, ou da nossa ação daninha sobre o ambiente.

A boa notícia de Novembro é a chegada da Feira do Livro. O evento que toma conta da praça da Alfândega na capital, sempre é motivo de festa com suas bancas e barracas recheadas de livros por entre as árvores. É uma festa para os que gostam de literatura. Como dizem por aí, me incluam nessa!

A cidade continua com seu centro fechado para o Rio Guaíba. Fruto da enchente de 1941, a cidade tem um muro que a separa - visual e fisicamente - do rio que a margeia.Depois de quase setenta anos - e várias gerações - sem conseguir conviver com o Rio Guaíba, o muro é o tipo do remédio que acabou por matar o doente.

Apesr de tudo, dizem que a cidade continua sorrindo... Espero que não seja um sorriso irônico!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Voltaram os bondes


Voltaram os bondes. E o pior é que não se trata dos românticos carros elétricos que antigamente usavam circular nos trilhos pelas ruas da cidade - Porto Alegre - no século passado. Ainda lembro dos vários percursos pela cidade: Menino Deus, Teresópolis, Azenha, Centro, Cidade Baixa, Petrópolis, etc.

Os bondes de hoje não são veículos, ao menos não os de transporte dos tempos românticos, mas grupo de jovens marginais, bandos de arruaceiros da pior espécie que percorrem as ruas da cidade promovendo saques, arrastões e brigas com outros grupos assemelhados.

Com a sabida impunidade que os jovens gozam pelo nossa legislação, principalmente porque a maioria situa-se na faixa entre 15 e 17 anos (inimputáveis penalmente pela nossa legislação), a polícia limita-se a retê-los e liberá-los - ou encaminhá-los a uma das instituições encarregadas de lidar com jovens infratores - o que equivale a liberá-los.

Esse é mais um símbolo da falência da familía. Não há mais contrôle sobre a nossa juventude, que se julga no direito de agir como verdadeiros celerados irresponsáveis.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

A festa(?) da democracia

Nunca vi eleição tão vazia como essa de 2008 para a administração municipal de Porto Alegre/RS. Vazia de conteúdo, idéias, ou propostas úteis (sérias?), todos os candidatos limitam-se a papagaiar que são melhores do que os seus antecessores, como costumam dizer todos os candidatos em todas as eleições, a velha ladainha que nunca levou ninguém a lugar nenhum  

O Tribunal Superior Eleitoral esforça-se divulgando propaganda incentivando a participação popular no pleito. Difícil tarefa! Eu sou um dos céticos que não acreditam mais nesses processos como uma forma de eleger representantes melhores. A política e os políticos tupiniquins não possuem passado que recomende. 

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sem motivos pra sorrir

Nossa Cidade Sorriso anda sem motivos pra sorrir. Os índices da violência urbana, o número de vítimas nas ruas (seja fruto da violência provocada pela massacre no trânsito, ou pelo cometimento de crime), aumenta sem respeitar limites. Enquanto isso, o estado se mantém omisso, incapaz de gerir, de administrar a coisa pública; O estado está falido.

A sociedade, que vive num país cuja carga tributária atinge os 40%, nem quer ouvir falar em novos tributos. Como sair dessa enrascada? Se o estado cobra muito caro por algo que não presta, como poderá aumentar a sua prestação sem mais cobrar?

Sem respostas para o dilema a população que não quer pagar mais, acaba pagando. E paga um preço imensurável, paga com o seu patrimônio ou com o que tem de mais valiso, paga com a vida nas nossas ruas. Como é possível sorrir desse modo?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Mau diagnóstico

A cura de qualquer doença começa no acerto do diagnóstico. Doença mal diagnosticada, implica em cura não alcançada. E um dos setores em que só vejo desacertos no diagnóstico é o da segurança pública. Na análise dos altos índices de violência que assola nosso país, supostos "entendidos" na matéria, costumam atribuir tudo aos problemas sociais do país.

Não há como negar que enfrentamos graves problemas sociais no país, ainda convivemos com a miséria e com a falta de uma distribuição de renda mais justa. O erro está em atribuir a esses problemas a causa de toda a violência. Acreditem, apesar de toda a propaganda das esquerdas, não é só isso! Se fosse somente isso, como explicar quando os autores pertencem as classes mais favorecidas?

Insisto! Criminalidade se combate com punição severa, com a certeza de que ninguém ficará impune se cometer qualquer crime. Enquanto vigorar a prática de que é fácil cometer crimes e permanecer impune, não se conterá a onda de violência no pais.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A cidade e eu - Parte II

Depois de muito tempo volto. Volto e vejo que deixei inconcluso um post "A Cidade Sorriso e Eu", pelo menos é o que se deduz por ele ser "Parte 1", sugerindo uma parte 2 - ou por, e principalmente, por ter terminado sem conclusão alguma. Tentarei concluir.

Falava sobre uma constatação: sorrimos mais quando somos crianças, e vamos diminuindo a quantidade de sorrisos com o avanço da idade. Ou o juízo nos tira o sorriso, provando o que diz o ditado: "muito riso é sinal de pouco juízo".

Talvez mais do que isso, numa conclusão politicamente incorreta: os idiotas são mais felizes. Ou a lei do inverso da felicidade, cujo teor afirma que "a quantidade de felicidade é inversamente proporcional à quantidade de juízo". É tudo papo furado, eu sei, mas ao menos defende minha ranhetice.

Segundo essa lei, Porto Alegre, dita cidade sorriso, é um local sem juízo.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Por que escrevo?

Escrevo por não saber desenhar. Rigorosamente, não escevo, descrevo, que é desenhar escrevendo. Gostaria, tivesse o dom, de ser um cartunista, adoro a instantâneidade, a velocidade dos cartoons. Descrever é um processo lento, tempo-consumista, que exige paciência dos dois lados: de quem escreve e de quem lê. O cartoon traz consigo o poder explosivo do agora.

Confesso que tentei, pequei papel e lápis. Rabiscos para cá e para lá, para no final não resultar em nada. Sempre tive a mania dos conhecimento inatos, ou auto-adquiridos, nunca fui de me submeter a cursos. Teimosia, bobeira, tivesse ido a um curso de desenho e talvez dominasse a técnica.