terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mais um verão...

Porto Alegre se humaniza nos verões. Com a chegada do calor um grande número de moradores abandona a cidade para fugir da canícula e, creiam-me, os verões de Porto Alegre fazem lembrar aquela imagem de um forasteiro que se arrasta sem esperanças pelo deserto. Nosso calor é de gente grande e as temperaturas absolutas dizem pouco: é preciso passar por aqui no verão para entender melhor.

Sempre digo que uma cidade só é administrável até os quinhentos mil habitantes, depois disso tudo vira um salve-se-quem-puder. Não há serviços nem infraestrutura que suporte o número de habitantes das grandes cidade. E não é uma questão da qualidade da administração, mas da impossibilidade de convivência num espaço exíguo.

Para organizar as grandes cidade é preciso acabar com a qualidade de vida dos seus moradores em nome da qualidade de vida dos moradores. Parace um contrasenso, mas é algo real. Vejam, por exemplo, o rodízios de veículos em São Paulo. Quem entra no dia em que não pode usar o seu veículo perde qualidade de vida, mas é um preço a pagar para que se possa andar pela cidade.

Por isso é que Porto Alegre melhora nos verões: há menos gente dirigindo nas ruas, ocupando as calçadas, estacionando nas vagas. Há lugares nos cinemas, nos restaurantes, há um melhor tratamento de todos para todos. Recupera-se um pouco da dignidade e da civilidade.

O calor? Esse é o preço a pagar...