sábado, 5 de janeiro de 2008

Por que escrevo?

Escrevo por não saber desenhar. Rigorosamente, não escevo, descrevo, que é desenhar escrevendo. Gostaria, tivesse o dom, de ser um cartunista, adoro a instantâneidade, a velocidade dos cartoons. Descrever é um processo lento, tempo-consumista, que exige paciência dos dois lados: de quem escreve e de quem lê. O cartoon traz consigo o poder explosivo do agora.

Confesso que tentei, pequei papel e lápis. Rabiscos para cá e para lá, para no final não resultar em nada. Sempre tive a mania dos conhecimento inatos, ou auto-adquiridos, nunca fui de me submeter a cursos. Teimosia, bobeira, tivesse ido a um curso de desenho e talvez dominasse a técnica.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A cidade e eu - Parte I

Formamos uma dupla estranha: a cidade sorriso e o ser carrancudo. Comparação infeliz. Nossa relação é do conteúdo e um contido, embora alguns admitam que se possa amar uma cidade. Uma cidade não sente, espelha os sentires dos seus habitantes. Sendo assim, a cidade sorriso está menos sorriso hoje, deve estar absorvendo um pouco da minha carranca.

Ninguém quer definir-se como um ranheta, qualidade que muitos tem e poucos assumem. Não vejo grande vantagem nessa minha franqueza, melhor vender uma imagem melhor num mundo que vive menos de conteúdos e mais de imagens, de invólucros, de embalagens, de rótulos. Está bem: eu sou o rei da simpatia, cara alegre e sempre feliz - agora ficou pior.

Todo bebe chora de fome, de sede, por que está sujo, porque está com sono, porque está com frio, causas fisícas. E sorri sem ter motivos, sorri por puro instinto. A gente cresce - esperem um minutinho, vou até o banheiro peidar e já volto! Pronto, gases liberados, estranho isso, a gente faz as maiores barbaridades com a mulher e não é capaz de peidar em presença de, ante...

Esse meu intervalo para a flatulência acabou com a minha linha de raciocínio. Quem manda ser peidão! Ah, está! Os bebes e os sorrisos sem motivos, a gente cresce e passa a só sorrir com motivo, e precisa cada vez mais de um grande motivo para sorrir. Por isso que eu acho que quanto mais velho, mais carrancudo. Segue.